Conduzímos o Honda CR-V no dia do amor. Será que nos apaixonámos?
No dia do amor, ensaiamos o Honda CR-V Black Edition. Resta-nos saber: será que foi um match ou é mais o que nos separa do que o que nos une?

Dizem que o dia dos namorados, ou do Amor, não é apenas 14 de fevereiro mas o ano inteiro. E vocês perguntam-se: o é que isso tem a ver com carros? Meus caros leitores, são apenas lamechices para tentar desculpar-me do atraso com que estão a ler este ensaio. Ainda assim, deixem-se envolver e recuemos juntos ao Dia do Amor para vos contar a minha experiência a bordo do Honda CR-V.
O primeiro encontro aconteceu uns dias antes. Ele era bastante alto e tinha uma aparência agradável, porém, surgiu-me o pensamento: “Catarina o que importa é o interior!” e foi aí que abri a porta e dei de caras com os estofos em pele bege, um espaço bastante considerável mas faltava-lhe algo… talvez um ar mais inovador, mais tecnológico e moderno. E se o interior que falam está debaixo do capô? Assim sendo, não tinha outra hipótese senão conduzi-lo. Mas vamos com calma.
Honda CR-V 2.0 HEV 2WD LIFESTYLE 22YM Black Edition
O modelo que estamos a falar trata-se de um Honda CR-V com um motor de combustão a gasolina de 2.0L combinado com motores elétricos que permitem uma potência máxima de 145 cv e um binário de 175 Nm. Quanto à aceleração, dos 0 aos 100 km/h, este Honda precisa de 8.6 segundos.
A edição Black Edition foi lançada em 2022, depois da 6ª geração do CR-V ter sido apresentada em 2019. Trata-se de uma versão mais equipada e com alterações no design.
Exterior | Crescido, musculado mas ainda assim familiar
No exterior do Honda CR-V Black Edition destaca-se o friso da grelha frontal a preto, o emblema da edição na traseira, capas dos retrovisores e jantes em liga leve de 18” ambos com detalhes a preto, componentes distintos por serem exclusivos a esta edição.
Este é um dos SUV mais vendidos no mundo, porém, não creio que seja pela sua beleza exterior. O Honda CR-V é um SUV que se destaca num parque de estacionamento mas talvez mais pelo tamanho do que pelas escolhas ousadas de design. Acredito que a sua aparência dificilmente perderá validade mas, no presente, não revela grande carácter ou personalidade. Atenção, não é feio nem antiquado. É apenas um “carro normal” que pode preencher totalmente os requisitos de muitos compradores.
No habitáculo do CR-V, a sensação é de robustez, de qualidade de construção e de um conforto superior a muitos SUVs do mercado. Porém, se o exterior não se mostra antiquado, o interior já começa a revelar alguns detalhes que, em tempos modernos, me fazem torcer o nariz.
Agradou-me imediatamente o espaço, o conforto dos bancos reguláveis e os estofos em pele bege que saltam à vista no meio de tantos elementos escuros. A posição de condução alta é outro fator que me cativa, ainda que não tenha resistido a compará-lo a um camião. Parvoíce minha… mas é realmente alto e o facto do ecrã tátil de 7" do Sistema Honda CONNECT estar ligeiramente inclinado para cima ainda aumenta a sensação de estarmos elevados.
Por falar em tecnologia, o ecrã tátil de 7" não é extraordinário mas a minha crítica nem vai ao encontro da dimensão mas sim do próprio sistema. A definição da imagem, os mapas antiquados e o menu não muito responsivo são alguns dos aspetos mais negativos. Mesmo no painel de instrumentos, existem informações que não são tão intuitivas.
Agora sim, vamos conduzir
É nesta parte em que regressamos ao dia dos namorados, quando levei o Honda CR-V num encontro romântico até bem perto da Frecha da Mizarela, na Serra da Freita. A viagem soma mais de 40 km de distância para cada um dos lados. No total foram cerca de 80 km realizados a bordo deste SUV.
Curva contra curva, fomos subindo até chegarmos ao destino sempre com uma grande suavidade e um conforto de condução considerável. Tirando o sistema de infoentretenimento, não consigo apontar outro elemento que tenha prejudicado a minha experiência. A passagem de EV para combustão é quase imperceptível e o motor responde bastante bem. A resposta dos sistemas de apoio à condução é também positiva.
Na viagem de ida, nos primeiros 40 km, feitos na sua maioria com uma inclinação acentuada, apontaram para consumos de 7.7l/100km. Já no regresso pelo mesmo percurso, registei um consumo de 3.5l/100km.
Enquanto seguia caminho, ia olhando para trás, e ao ver o grande espaço disponível começava já a imaginar os miúdos e a bagageira de 497 litros cheia de malas e memórias. E se se portarem mal, tenho sempre o apoio da senhora da Honda . Passo a explicar, a bordo do CR-V , quando os passageiros não apertam o cinto ou o condutor se esquece de destravar o carro para andar, há uma voz que, delicadamente, se faz ouvir no interior do carro: “Por favor, aperte o cinto”. Ah pois, a Honda babysitter é real.
O que se destaca?
O Honda CR-V é um dos SUV mais vendidos por todo o globo e, pela minha experiência, isso deve-se à suavidade de condução, ao conforto e espaço a bordo e ainda à sua eficiência. A qualidade de construção é também visível, porém, o sistema de infoentretenimento é antiquado e o ecrã bastante reduzido.
Esta é uma escolha viável sobretudo para famílias que procurem espaço, eficiência e economia mas que não se importem de deixar de lado alguma inovação, tecnologia e até um design mais atrevido. Se se enquadra neste contexto, saiba que esta versão tem um preço de 50.000€.
Veredito Simplificado
O que mais gostei:
Espaço
Suavidade de Condução
Conforto a bordo
O que menos gostei:
Design
Posição comandos
Ecrã Infoentretenimento






